domingo, 16 de maio de 2021

Aqueles que não vemos - I

 
Aqueles que não vemos – I
Maltucs
 
Despertou no exato instante que Michele fechou a porta. Ouviu, ainda, a chave girando no mecanismo, uma, duas vezes. Marcos sempre saía antes da esposa, sempre duas horas antes. O Maltuc esfregou as mãos enquanto terminava de acordar as partes do corpo. Era hora de descer, ler o jornal que Michele deixava sempre sobre a mesa da sala; alimentar-se um pouco e fazer a ronda.
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sábado, 24 de outubro de 2020

Meu Bebê

    
 
     Sinceramente, eu preferia estar morando na cidade grande e não nessa pocilga, pequena e afastada de tudo, chamada de Campo Verde.  Sim, cidades pequenas são muito comuns por aqui, mas as grandes oportunidades sempre estão fora das cidades pequenas! Afinal, são “grandes possibilidades” e se contentar com pequenas migalhas é para pessoas que adoram viver nesses pequenos vilarejos.
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sábado, 5 de setembro de 2020

Surpresas

   
     Ficus organensis ou apenas Figueira do Mato, minha avó dizia que as raízes desta árvore mantinham as portas do inferno fechadas. Que, não importava onde se plantasse, as pontas das raízes sempre iam afundando até chegar numa porta de pedra onipresente. Cá estou, cabeça escorada na árvore das lendas das avós de minha família. Lua cheia no céu, chega a tingir de carmesim as poucas nuvens. Será que até a lua compartilha de minhas mágoas? Marília casa nesta noite. Marília... tanta dor, maldita Marília. Noite quente, noite infeliz. Não é amor, é ódio, raiva, talvez inveja da forma como conseguiu arrasar minha alma e ainda sair como vítima de toda situação. Faz bem escorar a cabeça na figueira do inferno e chorar. Logo a árvore será cortada. Marília venderá tudo, Carlos fará isso, eu sei.
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domingo, 9 de agosto de 2020

Gestação

 
    Lina detestou a atividade escolar de carregar um ovo por meses. Odiou tanto que depositou, gota a gota, toda sua frustração naquela maciez envolta em dura casca. Numa noite morna de verão, enquanto tempestades murmuravam no horizonte, algo faminto chocou.
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sexta-feira, 10 de julho de 2020

Assinado em Lodo

Os horrores que se estendem por quilômetros na faixa de água que vai de Glória do Padre até Poço Finado são mais do que simples manguezais. Um bafo insinuante de odor salino e podre cobre toda região. Catei caranguejos, pesquei e morei naquele lugar esquecido por Deus e, seguramente, lembrado por todos os diabos. Eu tinha nove anos. Nunca esqueci. Foi antes de adoecer e ser mandado para São Paulo, viver na casa de tia Marlene, estudar no Liceu e deixar aquela vida para trás.
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